
Psicólogo e Psicanalista
Psicoterapia com idosos
O processo de envelhecimento traz consigo uma série de transformações — no corpo, na rotina, nos vínculos e na forma de se relacionar com a própria história. Mudanças de saúde, aposentadoria, perdas, lutos e reconfigurações familiares podem mobilizar questões importantes, muitas vezes acompanhadas de sentimentos de solidão, angústia ou desamparo.
A psicoterapia com idosos oferece um espaço de escuta para essas experiências, respeitando o tempo e a trajetória de cada pessoa. Mais do que focar apenas nas dificuldades, trata-se de possibilitar a elaboração do que foi vivido, a construção de novos sentidos e a sustentação de um lugar de fala onde o sujeito possa se reconhecer em sua própria história.
Orientado pela psicanálise, o trabalho não se limita a uma abordagem adaptativa ou voltada exclusivamente para o “envelhecer bem”. Ele considera que o inconsciente não envelhece — ou seja, que as questões fundamentais de cada sujeito continuam em jogo, podendo se apresentar de novas formas ao longo da vida.
Minha experiência com o atendimento a pessoas idosas inclui a atuação em contexto institucional, com destaque para a Unidade de Atenção à Pessoa Idosa (UnATI), onde tive contato com demandas específicas desse público. Nesse espaço, acompanhei questões relacionadas ao envelhecimento, às perdas, às mudanças na autonomia e às transformações nos laços sociais e familiares.
Essa vivência contribuiu para uma escuta mais atenta às particularidades dessa etapa da vida, permitindo um trabalho clínico que acolhe tanto o sofrimento quanto as possibilidades de elaboração e reinvenção que também podem surgir no envelhecimento.
A psicoterapia, nesse contexto, se apresenta como um espaço possível de cuidado, onde é possível falar, ser escutado e construir novas formas de se relacionar com a própria história — em qualquer momento da vida.